29.10.2015
Autor: Box1824

A inclusão digital não é total, mas chegou.

É cada vez mais comum vermos donos de pizzarias, de salões de beleza, de lojas de salgadinhos e de outros pequenos negócios que usam a internet para aumentar suas vendas. No levantamento mais recente sobre conectividade nas favelas, de setembro, o Data Favela divulgou que 57% dos usuários que acessam à rede nas regiões periféricas tiveram aumento de renda graças à internet. É bastante significativo se considerarmos que os 12,3 milhões de moradores de favelas no Brasil movimentaram, segundo a mesma fonte, US$ 19,5 bilhões em 2015 até o mês passado.

Com maior poder de consumo das classes mais pobres, a tecnologia serve como aliada para moradores de periferias se tornarem protagonistas. Hoje a maioria deles possui smartphone – 9 em cada 10 residentes de Heliópolis usam a internet pelo celular, conforme pesquisa do Facebook feita com 1950 pessoas neste ano. O dispositivo serve para tudo: ver notícias, comunicar, empreender, entreter; para buscar o que quiserem, enfim. “Tem muitos casos de pessoas que conseguiram emprego com vagas que viram na internet ou graças a um estudo online”, me falou Francisco José de Lima, o Preto Zezé, presidente da Cufa, a Central Única das Favelas, para citar como é grande a abrangência dos celulares nessas regiões.

O caminho para diminuir a desigualdade digital, porém, é longo. Segundo Zezé, embora possua maior poder de compra, o morador de favela enfrenta dificuldades para se conectar. A conexão nas regiões periféricas se dá por meio redes de dados que, além de ruins, são caras. Wi-fi quase não existe. “A grande maioria usa 3G”, me falou Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular e fundador do Data Favela. “Mesmo assim, 14% de quem acessa à internet compartilha o sinal do Wi-Fi. Na classe A, você não imagina alguém rachar o ponto de Wi-Fi. Tudo na favela é maior proporcionalmente.”

O cenário do uso da tecnologia no país é de transformação. A tal da inclusão digital, expressão usada ainda hoje junto da palavra “maldita” para tratar do que julgam ser maus comportamentos na rede, deve se prolongar por muitos anos. O momento atual é crucial para governantes, ONGs e órgãos públicos repensarem o que será feito a partir dessa maior democratização do consumo tecnológico. Se o compromisso com a mudança for séria, melhores conexões e serviços educacionais devem, a exemplo dos smartphones, se proliferar por todos os cantos das favelas.

Entramos numa nova fase da inclusão – um período de transição determinante para o futuro de quem hoje vive nas periferias.

Leia a matéria completa no site Motherboard, da VICE.

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