28.11.2017
Autor: Box1824

Bem-estar e tecnologia

Quem não quer ser feliz e saudável?

A crescente preocupação com o bem-estar transcende barreiras e sinaliza uma nova maneira de se ver e de se relacionar com o mundo.

Para ser saudável já não basta apenas uma boa alimentação e prática de esportes, é importante pensar no todo. Ser saudável, agora, é sinônimo de estar em sintonia consigo mesmo, cuidando do corpo, da mente, do emocional e, porque não, do espiritual.

A busca por equilíbrio e a noção de que as escolhas são vitais ao bem-estar desta geração sobrecarregada de opções é confirmada por mais uma pesquisa, desta vez do Guardian. Realizada com jovens entre 18 e 35 anos ela descobriu que 45% dos millennials gosta menos de baladas que a geração anterior. Entre as motivações para isto foi, é claro, citada a saúde. Mas, mais do que isso, muitos entrevistados disseram que preferem encontrar seus amigos para conversar.

Não existem dados locais, mas estima-se que no mundo a indústria do bem-estar já movimente aproximadamente cerca de 3 trilhões.

Uma das forças que impulsiona este movimento no mundo é a ideia de mindfulness, ou atenção plena. Mindfulness propõe um resgate do foco que nos seria natural e acaba perdido em um mundo de tantas referências. Derivado de conceitos importados da meditação, ele é uma arma potente na melhora do stress, ansiedade e depressão. Segundo a neurocientista Sara Lazar mindfulness literalmente muda o cérebro, gerando um aumento das funções sensoriais e responsáveis pelos sentimentos.

Não a toa a prática de yoga tem se tornado uma febre mundial crescente. Um estudo nacional diz que 7,5% dos adultos americanos já tentaram pelo menos uma vez e cerca de 4% praticou no último ano.

Mas de onde vem essa dificuldade em focar?

Para Daniel Goleman, psicólogo e autor do livro Focus: The Hidden Driver of Excellence, a tecnologia não só é uma das causas do aumento da dificuldade de aprendizado como também estaria relacionada com maior dificuldade para lidar com emoções. Presente em praticamente todos os aspectos de nossas vidas, ela demanda um tipo de atenção mais dispersa e constante, o que além de processos de ansiedade como FOMO (fear of missing out) também pode gerar fadiga. E a própria tecnologia tem criado soluções inovadoras para nos ajudar a recarregar e viver melhor.

 

  1. Corpo, mente e espírito

Com um mercado de mais de 150 milhões de dolares, os aplicativos de mindfulness e bem-estar são um dos segmentos que mais cresce, tanto em interesse quanto em lucro, nos últimos anos. Estima-se que 35% dos brasileiros usem tecnologias para ajudar a cuidar da saúde. Normalmente amparados por dicas baseadas em descobertas científicas recentes e planos que ajudam os usuários a progressivamente mudar de hábitos, estes aplicativos viraram febre. Um bom exemplo disto é a popular Headspace, startup responsável por um aplicativo que promete ajudar a melhorar o rendimento profissional, o foco e até o sono através de técnicas simplificadas de meditação e mindfulness.

Mas, para o chefe de negócios da startup, meditação é só o primeiro passo. A ideia, segundo ele, é criar o mais completo guia para saúde e felicidade, começando no nascimento e indo até o fim da vida. Isso porque nossa atual ideia de bem-estar vem amparada na noção de uma abordagem holístico da vida, ou seja, buscamos entender as coisas de uma maneira mais integral, não separada por especificidades.

E foi baseada nessa ideia que a Adidas lançou o aplicativo All Day. O principal diferencial de All Day está na sua proposta de integrar em um só lugar o que pode ser encontrado em centenas de apps. Isso, além de praticidade também sinaliza a mudança de foco: pequenas alterações de comportamento quando somadas se tornam uma alteração de postura como um todo.

All Day, como o nome sugere, é uma espécie de guia para o dia inteiro. Construído em cima de 4 pilares essenciais (movimento, nutrição, mentalidade e descanso) ele se propõe a funcionar como um guia de estilo de vida, monitorando o progresso e dando dicas baseadas em descobertas científicas recentes. O app também oferece receitas culinárias, vídeos de atividades físicas e mixtapes, todos criados por especialistas conhecidos e respeitados em suas áreas.

Também pensando em bem-estar de uma maneira mais ampla foi lançada em setembro a revista Goop, uma parceria entre a gigante das publicações, Condé Nast, com a atriz e guru de bem-estar Gwyneth Paltrow, que traz diferentes perspectivas e alternativas em torno de bem-estar.

Bem-estar se tornou um foco tão grande no mercado tecnológico que suas aplicações não se restringem aos aplicativos e recursos mais básicos.

Outra tecnologia que promete tratar do bem-estar de maneira mais ampla é o bracelete ZENTA. Ele monitora a saúde física, como os batimentos cardíacos, mas também respiração, suor, temperatura e cruza referências com outros dados do seu smartphone. A ideia é entender causa e efeito, tentando encontrar padrões que possam indicar estressores e outras possíveis alterações relacionadas com a saúde mental do usuário. Os criadores afirmam que, para o futuro, estão trabalhando com inteligência artificial em busca de formas de apaziguar os estressores. Por exemplo, se o padrão do usuário diz que ele se estressa com muitas reuniões seguidas, a ideia é que a inteligência artifical seja capaz de compreender um dia mais estressante e propor pequenos períodos de pausa.

Usando uma tecnologia em crescimento, a empresa m ss ng p eces convidou o guia espiritual Jack Kornfield para tornar mindfulness mais acessível. Jack já é conhecido por já trabalhar com algumas uniões entre tecnologia e bem estar, como seus populares podcasts, onde leva os ouvintes a mergulharem em suas narrativas, criando um processo de ensino espiritual acessível baseado em possibilidades mais cotidianas da prática de meditação. E foi exatamente inspirado pelos podcasts, dos quais são fãs há alguns anos, que os empreendedores da m ss ng p eces tiveram a ideia de criar narrativas usando realidade virtual. Já disponíveis atravéz de vídeos em 360° (que podem ser assistidos no Youtube ou em headsets específicos para realidade virtual) é possível passear em meio a natureza, meditar e ouvir ensinamentos de Kornfield sem precisar sair de casa.

Outra iniciativa que une tecnologias inovadoras e bem estar é o HiMirror, que funciona como uma espécie de consultor diário de beleza. Sem precisar responder nada ou apertar nenhum botão, apenas com o uso de uma câmera, o espelho faz uma análise totalmente detalhada da pele (espinhas, rugas, olheiras) dos usuários. Depois oferece um parecer sobre como está ocorrendo seu processo de envelhecimento e dicas a curto e médio prazo de maneiras possíveis para diminuir danos e levar uma vida mais saudável.

Curiosamente Simon She, CEO da empresa, teve esta ideia ao analisar o relacionamento de sua mulher com a balança do banheiro. Para ele criar um relacionamento mais proativo que reativo pode ajudar a mudar posturas cotidianas e tornar as pessoas mais próximas do que buscam. Um exemplo é a dificuldade em identificar se tratamentos faciais anti-envelhecimento funcionam, que pode ser resolvida com o feedback constante do HiMirror.

 

  1. Arquitetura do bem-estar

A ideia de trazer o bem-estar para o ambiente doméstico é uma das que mais cresce. Para a PhD Whitney Gray, a arquitetura sempre esteve muito baseada em estética, sem levar em consideração o impacto que causa na saúde e no bem-estar humanos.

Para isso existem as iniciativas super tecnológicas, como o prédio Edge, em Amsterdã.  Totalmente integrado e considerado o mais inteligente do mundo, ele é gerenciado por um aplicativo que se conecta a partir do momento que você acorda. O aplicativo controla sua agenda e indica vaga para estacionar e onde você vai trabalhar, já que no edifício as mesas não são fixas, mas alinhadas segundo a agenda dos funcionários. E, no momento em que você chega na mesa, ele sabe a iluminação e temperatura que você gosta, criando um ambiente de trabalho livre de distrações.

Mas também existem inovações mais conceituais que tecnológicas, como é o caso da academia Midtown Athletic Club que está criando um hotel boutique totalmente baseado em bem-estar. Segundo seu fundador, Dwayne MacEwen, no lugar de ser 98% hotel com 2% de amenidades a ideia é criar um espaço que seja 96% amenidades e apenas 4% hotel. Equilibrando espaços sociais com espaços íntimos, o hotel terá ambientes para socialização mas, também, para meditação.

E esse equilíbrio conceitual não se resume ao interior do prédio, buscando dar algo de volta para a cidade o hotel-academia criou um espaço externo que “se parece mais com um oasis urbano onde você se sente parte da cidade porque pode ver o tráfego e sentir a energia, mas também há silêncio e solitude”.

Muito da busca por uma arquitetura de bem-estar também passa pela retomada de valores. Um bom exemplo disso é nova identidade da empresa Six Senses que inclui o uso de geometria, harmonia e matemática para fazer com que seus hóspedes sejam capaz de criar maior ressonância espiritual com os ambientes. Para isso eles inclusive contrataram um analista de geometria sagrada encarregado de acompanhar a reforma de seu spa de luxo em Douro Valley, Portugal. O geometrista analisou o local, planta e as energias envolvidas nos projetos.

 

  1. Detox digital e espiritual

Segundo estudos 65% dos americanos concordam que ficar offline é uma ferramenta importante para manter a saúde mental. E a noção de que menos é mais talvez seja uma das mais recorrentes na busca por bem-estar.

Calvin Newport, autor do livro Deep Work: Rules for Focused Success in a Distracted World e professor de Ciência da Computação na universidade de Georgetown, subverte a ordem atual afirmando não temer, mas gostar de ficar de fora deste mundo de consumo compulsivo.

Para Calvin, que não tem Instagram, Twitter ou Facebook, a maneira como nos relacionamos com tecnologia, em especial com as redes sociais, é danosa e nos torna menos bem-sucedidos e felizes. Calvin acredita que é importante diminuir o ruído digital, não porque as tecnologias são coisas ruins, mas porque se não prestarmos atenção podem tomar o controle da nossa vida.

Junto de Calvin estão nomes como Joshua Fields e Ryan Nicodemus, criadores do site The Minimalists e do documentário Minimalism. Os novos minimalistas pregam que devemos nos desprender dos excessos e buscar experiências significativas. E Joshua é categórico: “As maiores distrações que enfrentamos são frequentemente telas luminosas na nossa frente”. Para combater isso ele propõe que façamos escolhas mais conscientes sobre como gastamos nosso tempo e recursos.

Neste mundo sobrecarregado por informação não é de se espantar que a nova ideia de férias de luxo sejam retiros espirituais que unem prática de yoga e busca por bem-estar em ambientes paradisíacos.

Empresas como YogaScapes e até a marca de roupas Free People fazem sucesso exatamente por oferecem o que as pessoas estão procurando, experiências únicas criadas para pequenos grupos de pessoas que não estão buscando voltar das férias recarregadas, mas transformadas.

O que torna essas experiências realmente incríveis é a consciência de que nossa ideia de viagens não é mais a mesma, já que 72% dos millennials afirmam estar mais interessados em gastar dinheiro com experiências que coisas. Ou seja, os pequenos grupos, além da yoga, também tem acesso à história e religiosidade, alimentação saudável e local, tratamentos de beleza naturais e até experiências de imersão em outras culturas.

No Brasil o bem-estar já é tema de cruzeiros que oferecem pacotes com especialistas em bem-estar, nutrição e condicionamento físico. É o caso da MSC, que inclui em sua “Experiência Wellness” um plano personalizado para cada viajante. Para isso é necessário preencher um questionário online e, ao embarcar, passar por uma entrevista e um check-up médico.

 

O que isso significa para a Vivo?

1. Compreender que cada vez mais vejamos saúde e bem-estar de uma maneira mais holística ajudar a moldar novas práticas para melhorar a felicidade e, como tal, o rendimento.

2. A busca por um propósito é foco crescente nos ambientes corporativos e ajuda a aumentar a motivação. Segundo este estudo da Delloite de 2016, os millennials acreditam que as empresas deveriam focar mais no bem estar, desenvolvimento e crescimento de funcionários e que está falta de significado e oportunidades é profundamente desmotivador.
3. Abraçar iniciativas que envolvam mindfulness pode ser um passo importante, já que comprovadamente melhoram o foco, o humor e a capacidade de lidar com sentimentos negativos.
4. Entender os funcionários como indivíduos com particularidades que, quando incentivadas, podem criar um ambiente mais fértil e criativo.
5. Pensar no uso de tecnologias como facilitadores, não desumanizadores. E compreender que, em algumas situações, a presença excessiva delas pode mais prejudicar no rendimento que ajudar.
6. Notar que a próxima fronteira do bem-estar está diretamente relacionada com um ambiente mentalmente saudável. Para isso é importante considerar os momentos de folgas e a criação de rotinas equilibradas.

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