02.02.2017
Autor: Box1824

Blockchain: a economia da confiança

 
 

Antes de tudo: o que é blockchain?

Blockchain é um banco de dados distribuído que é mantido através de uma rede e armazena dados em blocos, com a capacidade de verificar informações quase impossíveis de hackear. Por causa disso, o blockchain elimina a necessidade de verificação por terceiros e, como consequência, perturba qualquer setor que tradicionalmente concentra estas informações e dados. Entenda no vídeo abaixo:
 

 
“É como comprar uma revista na banca com dinheiro: não há custo além do produto e não é preciso assinar ou fornecer dados pessoais. Diferentemente do cartão de crédito, quando o dono da banca leva até 40 dias para receber e recebe com desconto. É caro, exige senha, dados pessoais e é passível de fraude”, explica Rodrigo Batista, presidente da empresa Mercado Bitcoin.

Assim como a internet, o blockchain não terá uma empresa “dona” da tecnologia. Porém, as empresas poderão criar sistemas baseados em blockchain para seus clientes – assim como fazem o Google e Facebook com a internet. O Uber, por exemplo, poderá num futuro próximo aceitar pagamentos digitais sem a necessidade de um cartão de crédito. Um sistema baseado em blockchain conseguirá transferir o dinheiro de uma carteira virtual do passageiro diretamente para a do motorista, com taxas muito mais baixas do que as cobradas pelas bandeiras de cartão, através de um simples aplicativo.

 

Adaptações do mercado financeiro

Ninguém parecia dar bola ao Bitcoin (moeda virtual que existe pelo sistema blockchain) até sua estrutura crescer e ameaçar as gigantes instituições financeiras. Desde que o valor de um Bitcoin atingiu um pico em dezembro de 2013, o número de usuários do My Wallet, uma popular plataforma de pagamento online Bitcoin, cresceu de 750.000 usuários para mais de 2 milhões. Com isso, muitas gigantes estão tendo que rever seus conceitos e inovar seus serviços diante do blockchain.

Por isso que, em 2016, sete bancos afirmaram ter movimentado dinheiro real por meio de blockchain em caráter de teste. O banco Santander, por exemplo, afirmou ser o primeiro banco do Reino Unido a usar a tecnologia Blockchain para efetuar transferências internacionais entre 10 e 10.000 libras por dia. O novo aplicativo se conecta ao Apple Pay, onde os usuários podem confirmar os pagamentos usando o Touch ID. Por enquanto, apenas os funcionários do banco estão utilizando o app, como beta testers.
 

 
Ainda no início de 2017, a Microsoft vai disponibilizar uma nova atualização para os usuários do pacote Office 2016, será a inclusão de suporte ao Bitcoin em planilhas Excel. Com este novo recurso será capaz de realizar algumas opções de formatação, como estilo de moeda nativamente no software.

Não é de agora que a Microsoft tem trabalhado com a tecnologia Bitcoin e blockchain. Desde 2014 a plataforma de jogos Xbox começou a aceitar pagamentos em Bitcoin. E o Azure. plataforma de nuvem da Microsoft, já oferece serviços de aplicações executando Blockchain em sua base de funcionamento.
 

 

Um novo nível de segurança e eficácia

Apesar do seu tremendo impacto na economia, o blockchain não é atrelado unicamente à transação de moedas, mas serve de base para garantir a confiança de diversos outros sistemas de troca de informações.

Um exemplo é a Walmart, que vai utilizar a tecnologia na sua cadeia de suprimentos. Neste último semestre, a rede de supermercados começou a testar o uso do blockchain em produtos de suínos na China. A esperança da companhia é que isso os ajude a endereçar situações de contaminação de forma mais rápida e eficiente.

“Isso (o blockchain) entrega um maior controle da origem à entrega do produto final”, disse Marshall Cohen, analista do NPD Group, à Bloomberg. “Se houver um problema com um surto de E. coli, isso lhes dá a capacidade de descobrir imediatamente de onde veio. Uma diferença brutal entre dias e minutos”.

Outro exemplo é da Everledger, uma startup de tecnologia com base em Londres que está testando o blockchain com o intuito de substituir certificados de autenticidade e procedência de diamantes emitidos em papel por certificados digitais. Transações de diamantes controladas em papel podem ser alteradas ou forjadas, por isso que a empresa está construindo sistemas para acompanhar o movimento dos diamantes das minas até às lojas de jóias através do blockchain, que registra e monitora os dados. A intenção é não só de atestar a procedência, como também ajudar os compradores finais a comprovarem a autenticidade das pedras no caso de venda ou de roubo.
 

 

Vantagens para o mercado Telecom

Anunciada como uma ameaça para o mercado de telecomunicações, muitas internet companies já estão de olho no blockchain para atuar no backstage de seus serviços:

Em 2015, a Orange lançou sua iniciativa ChainForce, que tem a intenção de incentivar empresas estabelecidas e start-ups a explorar as possibilidades do blockchain. A Orange Digital Ventures também investiu em uma cadeia de start-ups que está desenvolvendo soluções blockchain para o setor financeiro e outros serviços transacionais.

Em 2016, a Verizon Communications começou a testar a tecnologia como uma patente de conteúdo digital – como e-books, arquivos de música digital ou vídeo. No mesmo ano, a du (Emirates Integrated Telecommunications Company) anunciou um programa piloto para facilitar a transmissão segura de registros eletrônicos de saúde nos Emirados Árabes Unidos. Para isso, a empresa vai utilizar o blockchain em parceria com o Global Blockchain Council. Além disso, a du estabeleceu parcerias com Dubai Tourism e Loyyal para fornecer soluções em programas de fidelidade para o turismo (Dubai Points) com o uso do blockchain.

 

Menos burocracia e mais possibilidades

O blockchain pode ser usado para criar registros públicos digitais simplificados, que poderiam potencialmente transformar a forma como as burocracias operam. O uso da tecnologia poderia poupar dinheiro em papelada, tornar os registros públicos mais transparentes e protegê-los da corrupção, de acordo com advogados da tecnologia.

“Se um país inteiro decidisse usar o blockchain, seria praticamente impossível ter corrupção, porque você não move um centavo sem que isso seja visível e de acordo com as leis programadas no sistema”, diz Alexandre Van de Sande, que trabalha para a Ethereum, fundação com sede na Suíça que está desenvolvendo plataformas para facilitar a adoção do blockchain.

Um exemplo do uso do blockchain é para uma maior transparência nas eleições, especialmente nas doações a candidatos. Os criadores do app Voto Legal, de São Paulo, querem fazer com que os eleitores saibam em tempo real a quantia que sai do cartão de crédito do financiador e quem está contribuindo para aquela campanha.

Outro exemplo do uso do blockchain para diluir burocracias é a empresa brasileira OriginalMy, que permite que seus usuários façam o registro de documentos usando blockchain. Em vez de ir a um cartório reconhecer firma de um documento ou fazer uma cópia autenticada, por exemplo, é possível fazer uma assinatura digital. Como a informação não pode ser deletada ou alterada, fica provado que aquele documento existia naquele momento: pode-se fazer um “selfie depoimento” para dizer que se concorda com os termos e depois obter um registro do documento na rede.
 

 
Por fim, o blockchain também oferece possibilidades de viver formas mais descentralizada de governos. A BitNation é uma startup que visa criar um modelo de governança descentralizada cujas pessoas pagam e usam o serviço independentemente de sua cidadania. Isso pode incluir escrituras, fusões corporativas e outros serviços que são tradicionalmente fornecidos pelo governo. No início de 2015, a plataforma validou seu primeiro cartão de identificação, comprovando a existência de Janina Lowisz. Através do blockchain, o sistema forneceu uma afirmação criptográfica da existência de Lowisz – o primeiro pequeno passo rumo a uma cidadania independente.
 
 

O que isso significa para a sua marca?

 

  1. Blockchain tem o potencial de perturbar a forma como as marcas vendem bens e serviços.
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  3. Os consumidores estão exigindo mais informação e transparência por trás das marcas, e o blockchain é uma forma de permitir que esta proveniência seja garantida.
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  5. O uso do blockchain é uma forma de intermediar a confiança com os consumidores já que as características únicas do banco de dados são imutáveis, altamente seguras e totalmente descentralizadas.
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  7. Apesar de ser uma “tecnologia de backstage”, os consumidores perceberão a diferença ao utilizar serviços que tem maior agilidade, segurança e eficácia nas transações.
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  9. À medida que avançamos nesta era, as marcas que adotam este novo método – ao invés de proteger e defender suas tradicionais formas de trabalho – serão beneficiadas.

Dados para ficar de olho:

 


Fique por dentro:

 
IBM – Estudos e serviços sobre Blockchain
 
Wired – Notícias e artigos sobre Blockchain
 
Bloomberg – Notícias sobre Blockchain
 
Business Insider – Notícias sobre Blockchain
 

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