23.11.2016
Autor: Box1824

A nova era da diversidade nas empresas

Durante muitos anos a discriminação foi mascarada pela sociedade e tratada como diferenças naturais de um país misto por essência. Com o tempo, o preconceito que parecia invisível, revelou-se como sendo um reflexo de construções sociais ineficientes, ficando cada vez mais exposto.

Em uma sociedade que cada vez mais cobra transparência das instituições, passa-se a demandar não só um posicionamento mas, principalmente, atitudes das organizações em relação a diversidade. Entendendo esse cenário, muitas empresas ergueram as mangas por um ambiente mais inclusivo e igualitário, que contempla a pluralidade em todos os níveis.

Descobriu-se que investir em um ambiente de trabalho diversificado e inclusivo é muito mais que um dever social, é também um cenário rentável. Com isso, as chances de assertividade na comunicação e serviços são maiores, além de ser um estímulo para o surgimento de inovações no negócio.
 
 

Pesquisas tornam cada vez mais claro que as empresas com mão-de-obra mais diversificada têm melhor desempenho financeiro.

O estudo “Diversity Matters”, da McKinsey, aponta que as empresas com mão-de-obra mais diversificada têm melhor desempenho financeiro.

Algumas empresas começam a tomar atitudes para tirar a diversidade do discurso e transformá-la em um exercício diário. Uma das formas de tangibilizar essa mudança está no esforço de “desmascarar” a meritocracia, na tentativa de equalizar as oportunidades entre todos.

 

De modo simples e quase didático, o ilustrador australiano Toby Morris desconstrói o conceito de “meritocracia” através de uma história em quadrinhos. Clique aqui para ler.

De modo simples e quase didático, o ilustrador australiano Toby Morris desconstrói o conceito de “meritocracia” através de um quadrinho. Clique aqui para ler.


 
Muitas empresas estão olhando seu pipeline para entender onde estão os gargalos que freiam o crescimento de determinados funcionários. Elas estão quebrando possíveis barreiras invisíveis que podem, não só impedir o sucesso de muitos funcionários, como discriminá-los diariamente.

É muito importante falar sobre racismo, é mais importante dar espaço para não brancos falarem sobre suas experiências racistas, mas acho que o principal é contratar funcionários que estejam atentos às realidades e vivências de ser uma pessoa não branca no Brasil.” – Stephanie Ribeiro, ativista feminista negra.

Outra mudança que visa materializar a inclusão é dar voz às “minorias” presentes da companhia. Empresas como a Coca-Cola e IBM já estão criandos seus BRG’s (business resource groups), grupos de afinidade de minorias com objetivo de prover insights sobre a sociedade e culturas de nicho para as áreas de desenvolvimento, inovação e marketing.

 

A americana Erika IrishBrown entrou na Bloomberg, uma empresa com mais de 15.500 funcionários espalhados em 192 países, com a missão de assegurar um ambiente inclusivo para todos, sem importar a origem, gênero, idade, orientação sexual, religião ou cultura.

A americana Erika IrishBrown entrou na Bloomberg, uma empresa com mais de 15.500 funcionários espalhados em 192 países, com a missão de assegurar um ambiente inclusivo para todos, sem importar a origem, gênero, idade, orientação sexual, religião ou cultura. “Promover a diversidade é uma jornada. É uma jornada em que você precisa investir dinheiro, recursos e pessoas. Nós acreditamos que isso não é somente a coisa certa é se fazer, mas também uma questão de negócios, comercial”, afirma.

 

Trabalhar a diversidade de dentro para fora ajuda a minimizar as possibilidades de elaboração de uma comunicação superficial e contraditória. Porém, ter um discurso publicitário bem construído não é suficiente. É preciso garantir que todos os pontos de contato da empresa estejam alinhados com este posicionamento, desde o RH até a equipe de vendas. Além disso, ainda é possível utilizar outras fontes para a construção de um discurso assertivo. A co-construção com especialistas é um deles.

 

Co-contrução Avon e Think Eva

A marca de cosméticos Avon já utiliza desse artifício para a elaboração de suas campanhas. A parceria com a Think Eva tem ajudado a marca a traduzir a expressão do posicionamento “empoderamento feminino” e direcionar o conceito para as agências que prestam serviço para a marca.

 

Algumas marcas já entenderam este novo cenário e começam a se destacar. Desde a concepção de produtos que misturam referências de diferentes culturas, passando por abordagens criativas para tratar de questões como empoderamento feminino, até questionar o quanto a idade determina comportamento. Aos poucos, o mercado começa a se desprender de estereótipos de classificações sociais que já não são mais o suficiente para contemplar uma sociedade cada vez mais diversa.

 


Quais são as experiências que te fazem quem você é — e como você reflete tudo isso para o mundo? Foi desse questionamento que nasceu o “Meio-Fio”, o novo projeto da Melissa. A marca acompanhou o trabalho de nove artistas, batizados de “Refletores” que traduzem o momento atual da arte, música e cultura urbana na cidade. “São pessoas mapeadas dos centros, beiras e bolhas da capital paulista que representam toda a diversidade que a arte pede – e a Melissa acredita”.
 

Em tempos onde a diversidade é a pauta, será ainda mais importante termos marcas que assumam o papel de trabalhar a empatia e diversidade. O que antes era “cool” de ser abordado, agora é uma necessidade. É uma postura cobrada pela sociedade, tanto na comunicação e serviços como em atitudes palpáveis e construtivas.

 

 


Análise elaborada por Bruno Soares e Mariana Moreira, da Box1824.

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